Trainspotting credit titles from juan.illo on Vimeo.
Sobre o livro:
Trainspotting, primeiro romance do escritor escoces Irvine Welsh, lançado no fim da década de 1980, narra o cotidiano de vários jovens escoceses, cidadãos de Edimburgo. Usuários de heroína, atividades pequenos furtos, desfalques, que implícitamente retratam a necessidade de escape através do vício da droga pela adrenalina e pelo perigo. O nome do romance refere-se a gíria criada para definir os jovens drogados que passavam tardes "fiscalizando" determinados trens que passavam em suas estações - ou seja: um trainspotting é aquele que desperdiça sua vida com futilidades.
Mark Renton é um jovem rapaz seriamente perturbado. Fato acentuado principalmente por seu intragável vício em heróina, e por sua desesperada tentativa de escapar do mundo. Como a maioria dos jovens de Edimburgo, ele e seus amigos doentes cresceram sob o vulto da capital européia da AIDS/SIDA. Essa juventude niilista não vê nada de interessante em seu futuro: "Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadora, carro, CD Player e abridor de latas elétrico. Escolha saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha viver. Mas por que eu iria querer isso? Escolhi não viver. Escolhi outra coisa. Os motivos? Não há motivos. Quem precisa de motivos quando tem heroína?". Trainspotting tornou-se instantaneamente um clássico de fúria, desespero e caos cotidiano das ruas esquecidas da capital Escocesa, regurgitada para os quatro cantos do mundo.
A trama é dividida em sete partes contendo múltiplos capítulos, que variam de tamanho e foco, visivelmente originada de contos indepententes, possívelmente escritos com uma pequena relação entre sí. Cada personagem tem um estilo narrativo diferente, retratados em um fluxo de consciêcia de um realismo psicológico assombroso, como por exemplo o capítulo em que Sick Boy mentalmente formula teorias paranóicas com ator Sean Connery. Os capítulos narrados por Renton variam das girias e fonética gutural do inglês escoces moderno ao escoces perfeitamente gramático, ou quando lhe convém, usando o acento britânico na fala. Outros capítulos foram escritos com narrativa em terceira pessoa, em inglês formal, discorrendo sobre as ações de diferentes personagens conadjuvantes simultaneamente. A despeito do roteiro do filme de Danny Bolye, a trama é não-linear, e não oferece nenhuma pista sobre a relação dos personagens e seus estilos de vida desenfreados.
Irvine Welsh nasceu em Leith, em Edimburgo, se formou aos 16 em engenharia elétrica. Tocou contrabaixo e guitarra elétrica em uma série de bandas na cena punk da Londres de 1978. Alguns pequenos problemas com a policia, fizeram-no tomar vergonha na cara e ajustar seus modos, tornando-se assim um cidadão decente. É fã de Jane Austen e George Eliot. Estudou computação no Hackney Council in London. Além disso, Welsh esteve envolvido em diversas atividades, tais como DJ em casas noturnas. Vive atualmente em Dublin, Irlanda.
Sobre o Filme:
Trainspotting, o 2° de 3 filmes que o ator Ewan McGregor realizou com o até então novato Danny Boyle (os outros são Cova Rasa de 1994, e Por uma Vida Menos Ordinária de 1997), lançou seus nomes às estrelas da fama. Logo que lançado, foi exibido em 1996 no Festival de Cinema de Cannes, mas ficou de fora da seleção oficial. De acordo com o juri da época, o inclassificável filme mantinha sua real intenção subjetiva. Entretanto, tornou-se um dos únicos filmes com sucesso de exibição comercial naquele ano. O filme fez mais de U$12 milhões no mercado britânico, e a soma de U$72 milhões internacionalmente. Somente em sua estréia no mercado norte-americano, em julho de 1996, vendeu U$18 milhões, uma bolada em relação aos tímidos U$33 mil nas 8 salas de cinema da estréia britânica. Filmado em Edimburgo, em algumas locações em Glasgow, também na Escócia. Recebeu uma indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro no Independent Spirit Awards, uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, e ganhou um BAFTA Award por Melhor Roteiro Adaptado. A trilha sonora é um show à parte, e conta com pesos pesados como Iggy Pop, Lou Reed, Blur, David Bowie, Joy Division, New Order, entre outros.
Roger Ebert, um dos grandes críticos de cinema, na resenha do filme em seu site:
"Bizarro, o filme que seria futuro objeto de culto, alavancou a vendagem do livro na Europa e gerou uma peça de teatro. Usando o colorido vocabulário tramado por Welsh, e toneladas de energia verborrágica, o filme elevou impagáveis heróis ao estatus de ícones (em seu olhar particular, isto sim), e evoca a paisagem da Edimburgo atolada nas drogas, com a convicção de ter nascido para nos mostrar toda a sujeira dela de forma bem íntima. Mas, porque fazer isto? Nos levará a algum lugar? Nos dirá algo? Não exatamente. E este é o ponto crucial. O vício da droga não é linear, mas circular. Voce nunca irá a lugar algum retornando ao mesmo lugar. Mas você fez amizades indestrutíveis durante a sua jornada. Seria muito ruim se isso se morresse".
Rodrigo Carreiro, do ótimo site Cine Reporter dá o veredicto:
"Danny Boyle não julga, apenas mostra. Para cada seqüência bem-humorada como a cena de abertura, existe um contraponto de dor lancinante. Assim, se você tem momentos de gargalhar até dar câimbras (Renton mergulhando em uma privada imunda para encontrar um supositório de heroína, Spud acordando de ressaca em meio a uma poça de cocô), existe uma cena correspondente de provocar lágrimas e momentos de reflexão (o destino do bebê de uma das garotas do grupo, a impressionante overdose em que Renton “afunda” no tapete como se estivesse num caixão)".
Título do livro: Trainspotting (1993)
Autor: Irvine Welsh
Editora: Rocco
Tradução: Daniel Gallera & Daniel Pellizari
Título do Filme: Trainspotting – Sem Limites (Escócia, 1996)
Direção: Danny Boyle
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle. Gênero: Comédia, Crime, Drama. Nota do IMDB: 8.2/10 (127.101 votos).
Fonte: Wikipedia
Trailer:
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>> Leia um treçho do livro no site da revista Veja.
>> Leia na íntegra a crítica de Roger Ebert em seu sítio (em inglês)
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